Um esquema de desvios de recursos da Saúde para a compra de medicamentos de alto custo, que movimentou R$ 78 milhões, está ligado a farmácias em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo. As empresas pertencem a dois farmacêuticos investigados na Operação OncoJuris. A força-tarefa desvendou uma estratégia para manipular decisões judiciais, inflar contratos e comprar remédios com preços superfaturados, alguns sem registro sanitário.
Na quinta-feira (23), a operação cumpriu mandados em endereços no Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Cinco pessoas foram presas, entre elas o farmacêutico Reginaldo Pereira dos Santos, de 54 anos. Ele é dono da Drogaria Vitória, no Jardim Ouro Verde, região da Coophavilla 2, com cadastro ativo desde 2012. No mesmo local, mantém a Medic Import, aberta em julho de 2025. A empresa se apresenta como importadora de medicamentos, mas no CNPJ a atividade principal é “agenciamento de serviços e negócios em geral”. À Justiça, Reginaldo declarou renda de R$ 4 mil. Após audiência de custódia, permaneceu preso por cinco dias.
Também foi preso o farmacêutico Luiz Henrique Marino, de 50 anos, dono da Multidrogas, em Ribas do Rio Pardo. Ele é apontado como integrante da organização criminosa, ligado ao fornecimento ou intermediação da compra de medicamentos. Em 2024, foi candidato a vereador pelo PL, obteve 381 votos, mas não foi eleito. Luiz Henrique declarou renda de R$ 4,5 mil e também foi mantido preso após audiência de custódia.
Além dos farmacêuticos, foram presos os advogados Altair Penha Malhada, de 40 anos, e Victor Guilherme Lezo Rodrigues, 27. O quinto investigado é o ex-servidor Guilherme de Oliveira Neto, de 37 anos. Ele ocupava cargo na Secretaria de Estado de Saúde, com salário superior a R$ 10 mil, e participou de um programa de integridade da pasta. Guilherme deixou o serviço público em junho de 2025 e passou a ser diretor comercial em uma empresa de medicamentos, com remuneração de R$ 20 mil.
Segundo as investigações, o grupo lucrava com irregularidades na compra de medicamentos de alto custo, principalmente para tratamento de câncer. Os cinco são investigados por organização criminosa, falsidade documental, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e irregularidades na área da saúde. A defesa de Reginaldo informou que ainda não teve acesso aos autos e confia na inocência dele. A reportagem aguarda retorno das defesas dos demais citados.
