03/08/2026
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Clã Razuk: todos os herdeiros estão presos após captura na Bolívia

Clã Razuk: todos os herdeiros estão presos após captura na Bolívia

Com a prisão de Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, na Bolívia, todos os herdeiros do clã Razuk estão agora detidos. A captura ocorreu ontem (2), quando ele foi detido pela polícia boliviana por entrada e permanência irregulares no país e entregue às autoridades brasileiras na fronteira.

Neno Razuk foi levado para a Polícia Federal em Corumbá, onde havia um mandado de prisão preventiva em aberto contra ele desde 8 de julho. O ex-deputado estadual também já foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, em outro processo relacionado à Operação Successione.

A prisão preventiva foi decretada pelo juiz José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, depois que Razuk perdeu o mandato de deputado estadual em maio e deixou de ter foro privilegiado. Na decisão, o magistrado apontou risco à ordem pública, já que, segundo a investigação do Gaeco, ele seria uma das lideranças da organização e o grupo continuaria em atividade. A defesa do ex-deputado nega o envolvimento dele com crimes.

Os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk estão presos desde 25 de novembro de 2025, quando foram detidos durante a 4ª fase da Operação Successione. Na mesma ocasião, o pai deles, o ex-deputado estadual Roberto Razuk, também foi preso em casa, em Dourados, mas recebeu o benefício da prisão domiciliar por motivos de saúde. Neno não foi alvo da ordem naquele momento porque ainda exercia mandato parlamentar.

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o pai e os filhos formariam o núcleo duro de uma organização criminosa ligada à exploração de jogos de azar. A operação apurou suspeitas de roubo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. As defesas negam a existência da organização e afirmam que as acusações serão contestadas na Justiça.

As investigações indicam que o grupo planejava expandir as atividades. Conversas analisadas pelo Gaeco mostrariam interesse em testar um sistema híbrido de apostas, chamado de “jogo do bichinho”, que funcionaria presencialmente e pela internet. Os diálogos também apontariam planos de expansão para o Paraguai, com a possível aquisição de uma empresa licenciada para explorar modalidade semelhante em território paraguaio.

A 4ª fase da operação cumpriu 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em várias cidades de Mato Grosso do Sul, além de municípios do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Foram apreendidos documentos, celulares, armas, munições, máquinas de apostas, cheques, moedas estrangeiras e R$ 274,9 mil em dinheiro. O material indicaria uma estrutura com divisão de funções, controle financeiro e estratégias de expansão.

Roberto Razuk é o único dos quatro integrantes da família que não está em uma unidade prisional. Ele cumpre prisão domiciliar devido à idade e ao estado de saúde. No dia 5 de julho, foi internado na UTI do Hospital Unimed de Dourados.

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