Com 60% dos recursos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) executados em Mato Grosso do Sul, impulsionados pelos projetos de infraestrutura, os investimentos estratégicos deverão ser preservados apesar do corte bilionário promovido pelo governo federal nas contas públicas. A afirmação é do secretário especial do PAC, vinculado à Casa Civil, Roberto Garibe, em entrevista ao Campo Grande News. Ele fez um balanço da execução do programa no Estado, desde 2023.
Recentemente, o governo federal anunciou o bloqueio de R$ 23,7 bilhões no orçamento para cumprir as metas fiscais deste ano e analisa programação de ações do PAC.
Segundo Garibe, já foram aplicados R$ 10,3 bilhões no Estado, o equivalente a 60% dos R$ 17,2 bilhões previstos na atual gestão. O valor representa o maior conjunto de investimentos federais da história recente de Mato Grosso do Sul, disse.
Do total, R$ 15,7 bilhões correspondem a aportes diretos no Estado. Os R$ 1,5 bilhão restantes têm alcance regional. Ou seja, financia iniciativas compartilhadas com outros estados.
A estratégia do programa é priorizar projetos estruturantes capazes de reduzir gargalos de infraestrutura, aprimorar a logística, ampliar a oferta de serviços públicos e estimular o desenvolvimento regional. O secretário assegura que os recursos estão garantidos para as obras em andamento.
“A prioridade é garantir que os investimentos que mais impactam a vida da população e a competitividade de Mato Grosso do Sul cheguem até o fim.”
No Estado, o eixo de transportes reúne pelo menos oito empreendimentos estratégicos para o escoamento da produção agropecuária e industrial. A ideia é reduzir entraves logísticos históricos.
Ao todo, o Novo PAC estadual reúne 659 empreendimentos distribuídos em sete eixos temáticos: saúde, educação, saneamento, infraestrutura social, transporte, energia e conectividade. Até dezembro de 2025, 180 obras haviam sido concluídas, enquanto outras avançam para as etapas finais.
De acordo com Garibe, os projetos ativos representam 74% da carteira estadual de investimentos. Outra parcela dos projetos encontra-se em fase de licitação, com destaque para a futura concessão da Ferrovia Malha Oeste.
Segundo o secretário, a estrutura do programa, que combina recursos públicos, investimentos privados por meio de concessões e aportes de estatais, contribui para manter o cronograma das iniciativas mesmo diante de restrições orçamentárias.
Para Garibe, pelo menos três iniciativas têm potencial para transformar a infraestrutura e a economia do Estado nos próximos anos. A principal é a concessão da BR-163/MS, eixo fundamental para o transporte da produção do Centro-Oeste aos portos da Região Sul do país. Licitada em agosto de 2025 para a Motiva Pantanal, o empreendimento prevê R$ 4,86 bilhões em investimentos nos primeiros anos da concessão.
Desde a assinatura do acordo, em agosto de 2025, 22,1% das obras previstas foram executadas. Ao longo dos 29 anos de contrato, os investimentos devem superar R$ 9,3 bilhões. Em nota ao Campo Grande News, a Motiva Pantanal informou que segue cumprindo o cronograma previsto para a nova fase da concessão, sob acompanhamento e validação da ANTT.
Nos três primeiros anos, são previstos cerca de R$ 2 bilhões em obras para ampliação da capacidade e à segurança viária. Desde agosto de 2025, foram iniciadas 14 frentes de ampliação e melhorias, incluindo faixas adicionais em Mundo Novo e Itaquiraí, duplicações em Campo Grande, Jaraguari, Bandeirantes e São Gabriel do Oeste, além da implementação de retornos, vias marginais em Coxim e do primeiro dos três PPDs previstos no contrato.
Outro projeto prioritário é a Rota Bioceânica, corredor rodoviário internacional de 2.396 quilômetros que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. A expectativa é reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de mercadorias para mercados como a China.
O Brasil terá acesso à rota pela ponte que ligará Porto Murtinho à cidade paraguaia de Carmelo Peralta. Até agora, foram executadas 31% das obras de adequação dos trechos rodoviários e dos acessos à nova rota, com recursos do PAC. O Novo PAC também destina R$ 551 milhões para adequação e construção de trechos da BR-267/MS, uma das principais ligações brasileiras com a futura ponte.
Integram ainda o corredor bioceânico os serviços de dragagem do Rio Paraguai. Dos R$ 95,7 milhões previstos, 27,4% já foram executados para ampliar as condições de navegabilidade.
