15/07/2026
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Há 30 anos, Alcione faz pamonha a R$ 5 no fogão à lenha

Há 30 anos, Alcione faz pamonha a R$ 5 no fogão à lenha

Há 30 anos, Alcione Correia, de 61 anos, faz pamonha todos os dias em sua casa no bairro Marcos Roberto, em Campo Grande. O segredo está no fogão à lenha e na receita que herdou da família há 53 anos. Dos oito filhos, ela foi a única que seguiu com a tradição, o que considera motivo de orgulho.

As pamonhas são vendidas a R$ 5 cada. O sucesso é tanto que Alcione sempre acaba com o estoque diário. Em um único dia, ela já chegou a fazer 450 pacotinhos com palha, nas versões grande e mini, vendidos a R$ 3. Todo o trabalho é feito por ela sozinha.

“Pamonha pra mim significa vida. Meu foco não é ganhar muito, é sobreviver”, disse Alcione. Ela conta que outras pessoas vendem o produto a R$ 12, mas não têm o ano inteiro. “Eu tenho. Não preciso ganhar muito. Me emociono porque é uma herança que a gente tem.”

O sonho de Alcione é abrir uma Casa da Pamonha. “Vai chegar uma hora. Estou com 61 anos e são 30 mexendo com a pamonha, e é uma alegria imensa servir e a pessoa elogiar”, afirmou. Ela conta com orgulho que uma cliente que vem dos Estados Unidos já fez encomenda. As pamonhas também vão para cidades como Rio Brilhante, Clube do Laço e Ribas do Rio Pardo.

Alcione já trabalhou cortando cana na roça, mas sempre voltou para a pamonha. “Sempre trabalhei com trabalho braçal. Foi assim que criei dois filhos. Formei eles”, disse. Ela também faz curral, pamonha de sal, sopa paraguaia e bolo de milho por encomenda, mas o pedido de pamonha doce é o que mais vende.

Para ter pamonha fresca todos os dias, Alcione acorda às 4 horas da manhã e trabalha até as 15 horas. O processo inclui cortar o milho, descascar, tirar a palha, ralar e fazer a receita de família, que não revela. Ela prefere fazer os copinhos com a própria palha, em vez de usar barbante. “Acho mais original e tradicional”, explicou.

Uma bacia cheia de massa dá, em média, 100 pamonhas. Alcione não gosta de congelar o produto, por isso faz todo dia. Depois de prontos, os copinhos vão para o fogão a lenha, onde cozinham por 45 minutos após levantar fervura. “Pessoal fala que é bem caipira, bem tradicional. Vem gente de longe comprar”, disse.

Antes de morar no bairro Marcos Roberto, Alcione morou no Aero Rancho, Piratininga e Bela Vista. Ela veio para Campo Grande depois de ficar viúva do primeiro marido, em 2008. Até quatro anos atrás, ela ralava o milho na mão, até investir em uma máquina. As pamonhas são vendidas na Rua Bom Sucesso, 154, de segunda a sexta, das 10h até acabar o estoque, geralmente às 15h.

Sobre o autor: Agencia de Noticias

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