10/05/2026
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Nelsinho Trad cobra vacinas que não chegam ao produtor

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) cobrou explicações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) sobre a falta de vacinas contra carbúnculo e clostridioses em revendas agropecuárias de Mato Grosso do Sul e de outros estados. A cobrança ocorre mesmo após o governo federal anunciar a liberação de mais de 14 milhões de doses entre março e abril deste ano.

A manifestação do parlamentar acontece depois que o próprio ministério admitiu oficialmente o desabastecimento dos imunizantes. As vacinas são usadas na prevenção de doenças graves em bovinos, que têm rápida evolução e alta letalidade.

Em março, o Campo Grande News mostrou que lojas agropecuárias da Capital enfrentavam dificuldades para manter estoques da chamada “vacina de mancha”, utilizada contra doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium. Na época, os estabelecimentos relataram que o produto estava em falta havia mais de um ano e sem previsão de reposição. Vendedores afirmaram que as poucas doses recebidas não eram suficientes para atender a demanda do mercado sul-mato-grossense.

Nesta semana, o Ministério da Agricultura informou ter liberado 14.640.910 doses de vacinas nacionais e importadas entre março e abril. A pasta também citou a previsão do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal de entrega de 8 milhões a 10 milhões de doses por mês até dezembro.

Apesar dos números divulgados, produtores continuam relatando dificuldades para encontrar o imunizante nas lojas. Diante disso, Nelsinho Trad questionou o destino das doses anunciadas pelo governo federal.

“Se o Ministério fala em milhões de doses liberadas e a indústria fala em milhões de doses por mês, por que o produtor não encontra a vacina na prateleira? Onde está esse produto? Quem está segurando? Quando chega ao campo?”, questionou o senador.

Segundo o parlamentar, será encaminhado um ofício ao Ministério da Agricultura solicitando informações detalhadas sobre o estoque real disponível no país, o volume efetivamente liberado para venda, as empresas notificadas, o cronograma de normalização e a previsão de abastecimento para Mato Grosso do Sul.

Nelsinho Trad também quer esclarecimentos sobre a possibilidade de existirem doses retidas nas indústrias enquanto os produtores seguem sem acesso ao imunizante. “Vacina em depósito não salva rebanho. Se existe dose liberada, ela precisa chegar ao produtor. O pecuarista não pode pagar a conta de uma falha de mercado, de distribuição ou de fiscalização”, afirmou.

O Mapa já havia informado anteriormente que o desabastecimento ocorreu por causa de “decisões mercadológicas adotadas por fabricantes”, que interromperam a produção e comercialização das vacinas entre o fim de 2025 e janeiro de 2026.

A situação preocupa especialmente Mato Grosso do Sul, que possui um dos maiores rebanhos bovinos do país. As vacinas são usadas para prevenir doenças que podem provocar mortes rápidas nos animais e causar prejuízos econômicos à pecuária.

“O produtor rural não está pedindo favor. Ele quer comprar a vacina para proteger o rebanho. Se há estoque, tem que chegar à loja. Se não há, o país precisa saber por quê. O que não dá é deixar o campo sem resposta”, completou Nelsinho Trad.

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