24/04/2026
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O que você permite define quem você se torna

Gillianno Mazzetto, filósofo e psicólogo, publicou artigo no qual discute como pequenas permissões diárias moldam o caráter de uma pessoa. O texto foi divulgado no dia 24 de abril de 2026 e reflete sobre a “violência silenciosa” que não deixa marcas visíveis.

Segundo o autor, permitir que um filho minta uma vez abre caminho para que a mentira se torne linguagem corrente dentro de casa. Da mesma forma, no trabalho, assinar um relatório que não foi feito por um colega pode transformar um favor pontual em cumplicidade permanente. Para Mazzetto, a permissão repetida deixa de ser generosidade e vira uma declaração de identidade.

O artigo cita o filósofo romano Sêneca, que escreveu que as pessoas não se tornam más de uma só vez, mas são corroídas aos poucos. A corrosão começa no momento em que se aceita algo que já se sabia, no íntimo, que não deveria ser aceito. O autor diferencia fraqueza de consentimento.

No ambiente profissional, essa prática é chamada de “atalho ético”. Mazzetto compara o processo a um GPS que não volta ao ponto de partida: cada desvio vira estrada, cada exceção se torna norma. A resposta para quem aponta o erro costuma ser “mas a gente sempre fez assim”. O texto relata que gestores brilhantes se transformaram pela acumulação de pequenas permissões, como não dizer o que pensavam em reuniões ou ajustar números para bater metas.

Na vida familiar, a dinâmica é descrita como mais sutil e feroz. O autor afirma que as pessoas permitem na família o que jamais aceitariam de um estranho: tom agressivo, ausência emocional, silêncio que dói. Ele observa que a criança que vê o pai engolir desrespeito aprende que amor e humilhação andam juntos.

Mazzetto recorre ao filósofo Kierkegaard para lembrar que a maior mentira é a que a pessoa conta para si mesma. Ele argumenta que a omissão não deixa rastro verbal: a pessoa pode sempre dizer que “não fez nada” – e é exatamente isso que fez. Para o autor, o caráter se forma tanto pelo que se faz quanto pelo que se deixa passar.

O artigo menciona a cena de um executivo sênior que, durante uma reunião de diretoria, ouviu uma análise enviesada para favorecer uma decisão já tomada pelo dono da empresa. Ninguém falou, nem ele. No corredor, o executivo disse que “não valia a pena a briga”. Mazzetto questiona se valeu a rendição e conclui que as concessões razoáveis e os silêncios justificáveis se acumulam até que a pessoa não reconhece mais o próprio percurso.

Sobre o autor: Agencia de Noticias

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