24/06/2026
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Plano Diretor de Três Lagoas: aprovação gera protesto e críticas

Plano Diretor de Três Lagoas: aprovação gera protesto e críticas

O advogado popular e doutorando em Geografia pela UFMS, Lucas Bocato, publicou um artigo analisando a votação do Plano Diretor de Três Lagoas (MS). No texto, ele descreve a sessão na Câmara Municipal como um embate entre a população e os interesses do mercado imobiliário.

Bocato afirma que a participação popular foi intensa, com cidadãos lotando o plenário para pedir a rejeição do projeto. Ele agradece a presença de líderes comunitários, estudantes e trabalhadores, classificando a mobilização como uma “aula de democracia real”. O autor destaca que a ocupação do espaço público reflete a força da população, em contraste com o placar final de 11 votos a 4, que ele considera uma vitória temporária da base aliada da prefeitura.

O artigo faz um reconhecimento público aos vereadores que votaram contra o projeto: Maria Diogo, Marco Silva, Davis Martinelli e Pedrinho Jr. Bocato ressalta que, apesar de divergências ideológicas com alguns deles, a postura de escuta e a coragem na elaboração de pareceres contrários foram exemplares.

O autor critica duramente a prefeitura e seus aliados por ignorarem notas técnicas e pareceres acadêmicos durante o processo de participação social. Ele classifica essa postura como “negacionismo científico” e afirma que o governo municipal deu ouvidos apenas aos interesses do mercado imobiliário. Para Bocato, tratar com desprezo a inteligência das instituições de ensino e pesquisa é a prova do isolamento intelectual da gestão.

Bocato também descreve uma desigualdade econômica no plenário. Segundo ele, a renda e a quantidade de terras dos cinco primeiros indivíduos sentados na primeira fila superavam a de todo o restante do público presente. Ele argumenta que o voto da maioria dos vereadores foi um ato de vassalagem aos “donos do PIB” local, e não à cidade.

O texto critica a conduta de parte do parlamento, que ele chama de “democracia de conveniência”. Bocato acusa os vereadores da base aliada de operarem um “rolo compressor” para aprovar o texto, utilizando prazos encurtados e emendas lidas às pressas. Ele também rebate a alegação de que as vaias do público eram antidemocráticas, defendendo que a vaia é uma ferramenta legítima de manifestação contra o arbítrio.

Por fim, Bocato afirma que a aprovação do projeto não encerra a luta. Ele diz que o aviso dado pela população ecoará nos próximos dias e que o grupo segue vigilante na defesa da gestão democrática da cidade.

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