A Delegada Ana Cláudia Medina, do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), afirmou nesta sexta-feira (24) que o vídeo da manobra de um avião próximo à ponte da Rota Bioceânica não foi gerado por inteligência artificial. Em entrevista ao Campo Grande News, ela disse: “O voo é real. Apura-se, por conta da qualidade da imagem, se houve a passagem pela ponte e em que condições”.
A declaração ocorre em meio a comentários nas redes sociais que questionam a veracidade das imagens, com suspeitas de manipulação por IA. A investigação, no entanto, nunca tratou o caso como comprovadamente falso, mas como um episódio que exige verificação técnica.
O foco da apuração não é apenas saber se o avião passou por baixo da ponte, mas o nível de proximidade da aeronave com a estrutura e os riscos da manobra. Mesmo que o monomotor não tenha atravessado o vão, as imagens e relatos indicam um voo em baixa altitude, próximo a uma obra com dezenas de trabalhadores e equipamentos pesados. Isso já levanta questionamentos sobre segurança e possível infração às normas aeronáuticas.
A polícia trata o episódio como potencial risco à coletividade. A suspeita é de que a conduta possa ter colocado em perigo quem estava na aeronave, os operários e a própria estrutura da obra.
Aeronave e proprietário
O caso ganhou repercussão após vídeos mostrarem o avião em manobra próxima à ponte internacional em construção sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho. Em uma das gravações, feitas de dentro da aeronave, é possível ouvir vozes reagindo à aproximação com a estrutura.
Outra frente da investigação busca esclarecer divergências entre os registros. Há imagens que sugerem a passagem por baixo da ponte, enquanto outras mostram apenas a aproximação com curva de afastamento.
Segundo dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o monomotor de prefixo PT-OFE tem como proprietário e operador autorizado o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB).
