12/08/2026
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Turismo de negócios domina visitação em Campo Grande

Turismo de negócios domina visitação em Campo Grande

O turismo em Campo Grande continua movido principalmente pelas viagens de negócios. A maioria dos visitantes chega à capital para participar de congressos, eventos ou compromissos profissionais, ficando na cidade por um período médio de três a quatro dias. A informação é do gerente de Turismo da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), Wantuyr Tartare.

Ele participou da 7ª Mostra de Turismo de Campo Grande, realizada na manhã desta quarta-feira (12), no auditório do Sebrae. O evento reuniu representantes do poder público, empresários e expositores para discutir o setor na capital. Segundo Wantuyr, depois dos compromissos profissionais, parte desse público aproveita para conhecer outros destinos de Mato Grosso do Sul, como Bonito. “Nosso turista não é o que anda de chinelo, bermuda e camiseta. É de terno e gravata. A maioria dos nossos turistas é de negócios”, afirma.

O gerente afirma que o crescimento do turismo de negócios e eventos é acompanhado pela ampliação da estrutura para receber os visitantes. Na hotelaria, ele diz que Campo Grande ganhou mais de mil leitos neste ano em comparação com o ano passado. Mesmo com estadias curtas, esse público movimenta diferentes serviços. “Um turista movimenta a hotelaria, a rede de alimentos e bebidas, farmácias, postos de gasolina e transporte por aplicativo”, afirma.

Ao mesmo tempo, a cidade busca ampliar o turismo de lazer. Wantuyr cita o Bioparque Pantanal como um dos atrativos que ajudaram a incluir o município no roteiro dos visitantes. Para ele, a capital deixou de ser apenas ponto de passagem para quem segue ao Pantanal ou a Bonito.

Fazer com que o turista permaneça mais tempo na cidade também é uma das metas da IGR (Instância de Governança Regional) Campo Grande dos Ipês, que reúne a capital e outros dez municípios: Ribas do Rio Pardo, Nova Alvorada do Sul, Sidrolândia, Dois Irmãos do Buriti, Terenos, Rochedo, Corguinho, Rio Negro, Bandeirantes e Jaraguari. Presidente da IGR, Marcos Moraes afirma que a intenção é aproveitar o fluxo de pessoas que passa pela cidade antes de seguir viagem. “O nosso trabalho tem sido segurar esse turista pelo menos um dia a mais aqui”, diz.

Uma das iniciativas é o projeto Descubra Campo Grande, que apresenta os atrativos da cidade em hotéis e também a taxistas e motoristas de aplicativo. Para Marcos, o trabalho passa ainda por mudar a percepção dos próprios moradores sobre o potencial turístico da capital. “A gente precisa fazer uma mudança de mentalidade para que o campo-grandense entenda que a cidade tem muita coisa para fazer”, afirma.

Entre as alternativas ao turismo de negócios está o turismo rural. Uma das expositoras da mostra, Elda Ávila, de 55 anos, é proprietária da Estância Alegria, localizada na MS-040, e atua no setor desde 2014. O espaço oferece atividades de bem-estar, como yoga, meditação, trilha botânica e educação ambiental. “É um local para se conectar com a natureza, sair da rotina e aprender sobre o ambiente rural”, explica.

Segundo Elda, a maioria dos frequentadores é de Campo Grande, mas a propriedade também recebe visitantes de outros municípios e estados. Um dos diferenciais é a gastronomia voltada a pessoas com restrições alimentares, com cardápio sem glúten e opções para intolerantes à lactose, vegetarianos e veganos. “Muitas pessoas vêm de outros municípios e estados porque é difícil encontrar, no turismo rural, um lugar com essa proposta”, afirma.

Aos 87 anos, o turismólogo Edson Contar, bisneto de José Antônio Pereira, fundador de Campo Grande, acompanhou outra fase do setor. Ele conta que começou a trabalhar com turismo na década de 1960, quando o Pantanal ainda tinha pouca estrutura para receber visitantes. Segundo Edson, um dos principais desafios era convencer fazendeiros, até então voltados principalmente à pecuária, a receber turistas. Com a abertura das propriedades, pousadas e hotéis começaram a surgir na região.

Edson afirma ter aberto as primeiras agências de turismo em Campo Grande, Corumbá, Cuiabá (MT) e Aquidauana e ocupado cargos públicos ligados ao setor. Também relata ter participado da estruturação do turismo em Bonito, inclusive de ações relacionadas às grutas do Lago Azul e Nossa Senhora Aparecida. Ao comparar aquele período com o cenário atual, ele destaca a expansão da atividade e seus reflexos na geração de emprego e renda. “Nós tivemos que semear semente por semente em todas as regiões para poder ter esse turismo”, resume.

Uma das palestrantes da mostra, Jaqueline Gil, falou sobre os desafios e as oportunidades para o turismo em Mato Grosso do Sul, principalmente diante das mudanças climáticas. Segundo ela, o estado já desenvolve iniciativas ligadas à conservação e tem na natureza um de seus principais atrativos. Jaqueline ressaltou que o potencial vai além das paisagens e inclui elementos da cultura regional, como literatura e música. “Essa conexão com a autenticidade do território consegue se nacionalizar e entrar nas redes de interesse dos viajantes”, afirmou.

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