13/08/2026
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Guerras elevam lucro da Petrobras, mas expõem risco agrícola

Guerras elevam lucro da Petrobras, mas expõem risco agrícola

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, valor quase duas vezes maior que o obtido no mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.

Especialistas ressaltam que guerras não devem ser apoiadas, devido ao alto número de vítimas e à necessidade de soluções diplomáticas. No entanto, conflitos geram efeitos diretos nas cadeias de valor globais, o que exige preparação antecipada dos países para proteger suas economias.

China, Brasil e Noruega adotaram medidas consideradas eficazes desde o início da guerra no Oriente Médio. Brasil e Noruega se destacam por terem matrizes elétricas limpas, baseadas em fontes renováveis como água, vento e sol. Ambos exportam petróleo e consomem energia renovável, o que se tornou um diferencial no cenário atual. A China, maior importadora mundial de petróleo, reduziu suas compras por meio de incentivos à eletrificação e ao uso de veículos elétricos.

O Brasil se tornou o oitavo maior produtor de petróleo do mundo, impulsionado pela exploração do pré-sal e pelo aumento da capacidade produtiva da Petrobras. O país produz quatro vezes mais que a Venezuela, que tem as maiores reservas mundiais, mas não consegue extrair petróleo em escala.

O país também possui um sistema energético sólido, combinando produção de petróleo com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, e segue em processo de transição energética.

Já no conflito entre Rússia e Ucrânia, o Brasil enfrenta dificuldades. A guerra provocou escassez global de fertilizantes e nutrientes como fósforo, nitrogênio e potássio, afetando diretamente a agricultura nacional.

O país depende da importação de 85% a 88% dos adubos consumidos na agricultura. Essa dependência expõe o agronegócio a riscos geopolíticos, variações cambiais e oscilações nos preços internacionais. Apesar de ser um dos quatro maiores produtores agrícolas do mundo, o Brasil não desenvolveu uma indústria local competitiva de fertilizantes e nutrientes.

Faltou uma política industrial para criação de fábricas brasileiras que pudessem abastecer o país em situações de emergência. O BNDES poderia ter financiado esse parque industrial, mas não o fez.

A avaliação é que o Brasil precisa aprender com as consequências econômicas das guerras. Quando há planejamento antecipado, como na transição energética, os resultados são positivos. Quando se depende do mercado, como no caso dos fertilizantes, o país sofre.

Paulo Feldmann é professor da FEA (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária) da USP.

Sobre o autor: Agencia de Noticias

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